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Dados apurados pela portuguesa Feedzai, que monitoriza milhões de transações bancárias em todo o mundo, mostram que o fim do confinamento não abrandou as transações digitais nem os esquemas de fraude que querem tirar partido delas.


A pandemia fez disparar a adesão aos meios de pagamento online e aos serviços de banca digital, tendências que o desconfinamento não abalou. Muito pelo contrário. Um relatório da portuguesa Feedzai, especialista em soluções antifraude, mostra que entre abril e julho os pagamentos peer-to-peer (transferências diretas) cresceram 146%. As transações online avançaram 109% e as transações com cartões de débito 26%.

Em contraponto, registou-se uma quebra de 44% nas transações em dinheiro, um número que, como destaca a empresa, é ainda mais relevante tendo em conta que a comparação é feita com o segundo quadrimestre de 2020, altura em que boa parte do mundo estava em confinamento e, mesmo que quisesse, tinha poucas oportunidades para fazer pagamentos em dinheiro.

Esta tendência é muito acentuada no consumo, mas também se verifica nas empresas. A pesquisa regista que no mesmo período, o número de transações bancárias realizadas online por empresas aumentou 26% na EMEA.

O reverso da medalha está no facto de os atacantes estarem atentos a esta alteração nos hábitos de pagamento e continuarem a apurar e diversificar esquemas de fraude para estes canais. O relatório da Feedzai mostra que o número de tentativas de fraude de cartões, em operações online, aumentou 23%.

Num âmbito mais abrangente, verifica-se que entre abril e julho a fraude associada a operações bancárias ultrapassou até em muito esta ordem de grandeza. Em países como a Austrália, que avançaram de forma mais significativa para o desconfinamento, isso foi ainda mais evidente.

O número de fraudes em operações bancárias contabilizadas no país neste período aumentou 259%, associado a um crescimento também significativo do número de transações realizadas. Em áreas como as viagens, por exemplo, as transações para compras de viagens de avião cresceram 660%.

Telemóveis no centro dos esquemas de fraude bancária
Nos dados que compilou, a Feedzai elege o tipo de tentativas de fraude mais comuns. A liderar estão os esquemas relacionados com compras, situações em que o consumidor paga por um produto que nunca chega a receber, algo que com o recurso cada vez maior ao comércio online também ganhou escala.

Neste top 5 estão também pela primeira vez os esquemas de smishing, uma versão para SMS dos tradicionais esquemas de phishing no email, que tentam levar o utilizador a carregar em links para sites com código malicioso e roubar dados pessoais.

Nos lugares intermédios da tabela estão os esquemas de engenharia social, as tradicionais técnicas de interação social que podem ser as mais diversas, mas que têm todas o mesmo fim: manipular a vítima para a levar a partilhar informação sensível.

Neste top cabem ainda os esquemas de imitação e de roubo de contas. Nos primeiros, quem tenta a fraude faz-se passar por uma entidade oficial para tentar ganhar privilégios de acesso a contas. Nos esquemas de roubo de conta estão os “truques” que permitem a alguém apropriar-se da identidade de uma vítima, seja por roubo de dados ou hack de dispositivos digitais.
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Formação Relacionada

Desconfinamento, transações digitais, fraude

Ferreira, Cristina (2021) Desconfinamento acelera compras e transações digitais, mas também esquemas de fraude. Recuperado a 19 de Outubro de 2021 em https://tek.sapo.pt/noticias/negocios/artigos/desconfinamento-acelera-compras-e-transacoes-digitais-mas-tambem-esquemas-de-fraude