Continuidade & Resiliência • Artigo

E se a sua equipa principal não estiver disponível?

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A continuidade real mede-se quando as pessoas certas não estão presentes e a organização continua a responder.

E se a sua equipa principal não estiver disponível?

Na maioria dos planos de continuidade ou recuperação, há um erro silencioso, mas crítico: assume-se que as pessoas certas estarão disponíveis no momento certo.

Mas… e se não estiverem?

  • E se não for possível contactar o gestor de TI?
  • E se a responsável de RH estiver de férias?
  • E se a equipa de gestão de crise estiver indisponível por ter sido impactada pelo mesmo incidente?

É aqui que muitos planos falham, antes mesmo de serem testados.

“A ilusão de ter a pessoa certa no papel certo, à hora certa”

Documentos lindos. Organogramas claros. Lista de contactos de emergência disponível e atualizada. Tudo parece sólido… até que o inesperado acontece.

A realidade é esta:

  • As pessoas adoecem.
  • As pessoas entram em pânico.
  • As pessoas ficam sem acesso digital.
  • As pessoas… são humanas, pelo que, também falham.

Planos que não consideram a ausência dos seus protagonistas são estruturalmente frágeis.

O verdadeiro teste de maturidade

A continuidade de negócio não depende apenas da existência de planos. Depende da capacidade de responder a perguntas como:

  • “Quem substitui quem, em cada função crítica?”
  • “Como são tomadas decisões críticas na ausência da liderança habitual?”
  • “O que está automatizado e o que depende exclusivamente de uma pessoa?”
  • “Quais são os pontos únicos de falha humana?”

Organizações maduras planeiam a ausência das pessoas críticas e testam, com rigor, a capacidade de resposta da equipa.

Casos reais de falha no planeamento da continuidade

Caso 1 – Empresa de serviços financeiros
Um incêndio obrigou à evacuação da sede da empresa.
O gestor da continuidade encontrava-se em viagem internacional, sem acesso à rede.
Resultado: três horas perdidas até alguém assumir liderança.

Caso 2 – Fábrica industrial
Um ataque de ransomware paralisou os sistemas.
As credenciais do administrador encontravam-se num cofre digital… acessível apenas por duas pessoas ambas afetadas pelo ataque.

Caso 3 – Empresa de software
A empresa realizou uma simulação bem-sucedida com os membros da equipa.
Numa sexta-feira à noite, durante um incidente real, a equipa encontrava-se incompleta.
Este facto impossibilitou a tomada de decisões adequadas e levou a falhas na coordenação.
Resultado: disrupção na operação.

Preparar equipas — não apenas planos

  1. Criar redundâncias para as funções críticas
    • Não basta nomear substitutos designados: é necessário treiná-los em contexto prático.
  2. Garantir o acesso partilhado a recursos e credenciais
    • Utilizar cofres digitais partilhados, mecanismos de acesso de emergência e sistemas de contingência.
  3. Testar cenários que considerem a ausência de protagonistas
    • Durante os exercícios, simular a ausência de decisores-chave e observar a resposta da equipa.
  4. Mapear pontos de falha humana
    • Identificar situações em que tudo depende de uma só pessoa e mitigar esse risco.
  5. Desenvolver competências interpessoais sob pressão
    • Liderança, comunicação e tomada de decisão treinam-se antes da crise — não durante.

O que distingue os planos que realmente funcionam?

  • São exercitados e testados com realismo e sob pressão.
  • Antecipam a indisponibilidade de pessoas-chave.
  • Privilegiam a capacitação transversal, e não apenas a dependência hierárquica.
  • Têm backups funcionais de liderança, acesso e decisão.

Quer planos que realmente funcionem?

A continuidade real exige responder ao imprevisível.
“Esperar o inesperado” não é um cliché é o princípio da resiliência.

Porque, nos momentos críticos, não é apenas um plano que salva a organização:
são as pessoas preparadas, disponíveis… e substituíveis.

A pergunta certa nunca foi: “Temos plano de continuidade?”
A pergunta certa é: “Se você não estiver lá… tudo continua a funcionar?”

Autor: Behaviour
Publicado em: 25 agosto de 2025
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